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Comments (1) Comportamento, Estilistas, História

Se moda não é resgate, o que é?

Poucas coisas mexem tanto com o imaginário feminino quanto a moda. Mulheres são capazes de loucuras para ter. Mas não sejamos ingênuos, não é o ter em si. É, ademais, a sensação de prazer, de desejo atendido, de poder e autoestima elevada ao vestir e exibir a peça cobiçada.

A moda vive de paixão e vaidade {leia mais} . O homem sempre arrumou uma forma de cobrir o corpo e adornar-se. Isso não é novo e nem é novidade. Um dos grandes nomes da moda, Christian Dior, surgiu porque entendeu que a feminilidade precisava ser resgatada. As mulheres vinham de anos usando roupas utilitárias {leia mais}, enfrentando racionamento de tecido, de uma segunda guerra mundial que deixou sequelas também na moda e, no caso de Christian Dior, ajudou a fazer história.

Quando eu falei da moda dos anos 50 aqui no Sem Espartilhos {leia mais}, eu não fiz jus à contribuição deste estilista ao mundo feminino. Não porque não soubesse o seu valor, mas porque a ideia daquela série era somente dar uma pincelada no que foi a moda década a década.

Então, imaginemos o cenário:2a Guerra Mundial, escassez, confrontos, medo, racionamento, incertezas, devastação, sofrimento, perdas, mortes, sangue, dor, extermínio. Homens no campo de batalha, mulheres no mercado de trabalho. Solidão, instinto de sobrevivência.

Neste cenário, não há lugar, nem espaço e nem tampouco acolhimento para a vaidade. Sonhar é arriscado. Desejar é proibido. Consumo é apenas necessidade.

Já deu para entender que o contexto não estava para a moda, certo!?

Aí vem Christian Dior, um homem na faixa dos 40 anos, até então desconhecido em meio a uma Europa em frangalhos e lança um look ultra feminino, suave, delicado e cheio de tecido. O impacto é tão forte que o governo britânico proíbe a editora da Vogue inglesa na época Alison Settle de mencionar o nome de Dior nas suas páginas. Uma tentativa de negar a sua existência. Inútil, o New Look de Dior se espalhou como pólvora. As que podiam, compravam o original. As que não, compravam as cópias produzidas em escala industrial.

 

Mas, o que tinha esta roupa de tão especial?

Em matéria de invenção, nada. Este look acinturado, com saia rodada e ombros estreitos não é criação de Dior. Esta moda já existia há séculos. Inventar moda mesmo, quem inventou foi Chanel com seu figurino moderno, livre de espartilhos.  O que Dior fez foi resgatar a mulher em toda sua ternura, felicidade e amor, como ele próprio diz:

Parecia ter novamente chegado uma idade de ouro. A guerra tinha desaparecido de vista e não havia mais guerras no horizonte. Que importa o peso dos meus suntuosos tecidos, dos meus pesados veludos e brocados? Quando a leveza se alojava nos corações, não eram simples tecidos que acabrunhavam o corpo. A abundância ainda era uma novidade demasiado recente  para que o culto da pobreza se desenvolvesse a partir de um esnobismo às avessas… As minhas primeiras criações receberam nomes como “Amor”, “Ternura” e “Felicidade”. As mulheres compreenderam instintivamente que eu sonho torná-las não só mais belas mas também mais felizes. Foi por essa razão que me recompensaram tornando-se minhas clientes.”

Dior pode não ter inventado moda, mas certamente trouxe de volta o interesse pelo agradar-se. Então, para quem ainda acha que moda é bobagem, agradar-se é?

Beijos.

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  • http://www.cirandadaspalavras.blogspot.com.br Regina

    Seu blog é muito bom!
    Interessante saber o fundamento das coisas, tudo tem uma explicação.
    Parabéns.