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Comments (1) Comportamento

Chatos de plantão por Frederico Mattos

Meu radar fica sempre ligado quando ouço alguém reclamar de reality show, novela, jogo de futebol ou moda alegando que são coisas desprezíveis por ser fútil ou de mera aparência, que o importante é a essência. Soa um alarme bem alto na minha cabeça que diz CHATO DE PLANTÃO.

Olha minha cara de preocupação

Tem certas pessoas que tem um senso tão estreito e fechado para lidar com os prazeres ditos mundanos que me dá até comichão. Já fui desses chatos, nem eu me aguentava.

Apegados num certo desejo secreto de que o mundo fosse um mar de rosas, correto, justo e equilibrado sofrem por perceber as mazelas da vida. Parecem que vivem numa teoria da conspiração. O pior de tudo é que andam com orgulho no peito, tal qual Dom Quixote tentando corrigir o mundo baseado nos 10 mandamentos que inventaram na sua mente “esclarecida”.

Parecem aqueles fanáticos que levam um livro debaixo do braço repreendendo as pessoas por gostarem de roupa bonita, beijo na boca ou feriado. No fundo acho que elas não gostam é de ver pessoas com brilho nos olhos. São infelizes encardidos de si.

Quando alguém vem idealizar minha profissão de psicólogo dizendo que ela sim é profissão porque atinge o fundo da alma humana eu pego o “diabo verde” que carrego no bolso e jogo na boca da pessoa como se faz com ralo entupido. Nem deixo seguir muito longe com isso, TODA PROFISSÃO ATINGE O FUNDO DA ALMA.

Precisamos de todo o tipo de trabalho existente no mundo, assim como precisamos de beleza, verniz e amenidades.

O anseio por um mundo e pessoas ideais e perfeitamente corretas, justas, higienizadas, organizadas, catalogadas, equilibradas pode gerar um tipo de intolerância que causa mais problema do que ajuda. A chatice e frustração constantes que amargam uma pessoa pode muitas vezes advir desse tipo de purismo sem medidas.

Ninguém vive de filme de drama 24 horas no dia, o coração precisa de coisas sapecas para se reabastecer, mas os chatos de plantão (invejosos mascarados de bom moços) estão sempre com um conselho prudente na mão.

Dia dos namorados? “Data comercial.” Balada? “antro de gente louca” Dia das mães? “Para as lojas lucrarem” Academia? “Gente narcisista.” Restaurante? “Porque esbanjar?”

Credo, sai pra lá urubu, deixa o mundo se divertir um pouco. Adoram dizer que vivemos num mundo de egoísmo e que essa nova geração está perdida, honestamente não me lembro de alguma geração que esteve encontrada. Querem ficar azedando a vida alheia com recomendações moralistas, pra eles eu digo “volta pra encruzilhada despacho ambulante!” kkkk

E daí que precisamos de artifícios para cutucar nosso coração sonolento?

Tem gente que é tão chata que vive numa casa que só tem sofá, cama e geladeira. É aquele que se apega no detalhe do detalhe, que quer tudo passado à limpo, conversado, explicado, registrado e não admite nada que pareça infantil bobo ou ingênuo. “Não gosto de supérfluos”, sim, meu amigo, do mesmo jeito que não gosta de pessoas, que quando abraçam costumam estar bem concretas, diante dos olhos e na superfície da sua pele.

Quando começa com essa filosofia barata de gente amarga também sei provocar, então o que não é supérfluo?

Vamos abrir mão dos copos (e beber na fonte), dos pratos (e comer com a mão), dos telefones (mandar sinal de fumaça), de porta-retratos (sei de memória o rosto das pessoas que amo), de computadores (posso desenhar com carvão e mandar mensagens numa pedra), de jóias (posso viver num mundo opaco), de monumentos (andemos pelas ruas sem nada que nos impressione) ou flores no vaso (vou acabar com a Amazônia). Também não vou mais cortar os cabelos, as unhas, tomar banho, pois é tudo superficial. Jogarei fora meus espelhos, CDs de música, lembranças de viagem e bolinhas de gude. Não vou falar, afinal as palavras ditas nunca representam perfeitamente o que eu sinto. Não vou me relacionar com os outros, a não ser para perpetuar a espécie. Não vou sentir nada por ninguém, afinal sentimentos são sempre confusos, rasos e passageiros. Nem pensar, tudo é limitado diante da “verdade”. Para os chatos de carteirinha ficarei como alma penada, ou melhor, depenada, pois penas são coisas de carnaval e carnaval é data comercial…

Para os chatos até a felicidade e o sorriso sem explicação é superficial. Tudo tem que ter um propósito, uma razão, profundidade ou responder a uma pergunta filosófica cheia de hermetismo.

Para eles é fácil, afinal não tem nada muito interessante para fazer.

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Frederico Mattos é um homem apaixonado, sonhador nato, psicólogo provocador, escritor de um não best-seller e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão, Muay Thai, lava pratos e escreve no blog Sobre a vida. No twitter é@fredmattos.

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  • Letícia Paula

    Fred, muuuito obrigada por dar esse tapa nas nossas caras!!! Texto maravilhoso!