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Comments (0) Comportamento

Pessoas culpadas

Quem acompanha o Sem Espartilhos desde o começo já está habituado a ver textos do psicólogo Frederico Mattos uma vez por semana por aqui.

Para quem está chegando agora ou que nunca entendeu porque chamei um psicólogo para escrever em um blog de Consultoria de Moda, a explicação é a seguinte: ao meu ver e o Fred concorda com isso, a questão do visual passa por muitas barreiras psicológicas e causa muitas barreiras psicológicas. A maneira de vestir ou de cuidar da aparência tem profunda ligação com a história de vida de cada um e a junção de um psicólogo + um consultor de moda/imagem aborda questões como estas de maneira muito mais ampla.

O texto de hoje fala de culpa e quem é que já não se sentiu culpado por gastar demais com o visual “quando há tantas coisas mais importantes no mundo”?  Só para deixar claro, eu discordo deste pensamento, mas vou deixar que o Fred fale sobre culpa.

Beijos.

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A culpa não foi uma invenção do judaísmo ou do cristianismo como gostam de pregar os antirreligiosos. A culpa é um sentimento patrimônio da humanidade que só tomou formatos e rituais diferenciados ao longo da história.

Peso inútil

Onde há lei há culpa.

Naturalmente os animais tem um sistema regulatório que passa por outras vias de autossustentação. Os mais lentos, inábeis e frágeis são extintos em favor dos mais fortes.

Na natureza humana os frágeis permanecem vivos e se ajustando como podem.

Carregamos muitos instintos bem parecidos com nossos irmãos irracionais. A questão evolucionista desenvolveu o cortéx cerebral que associado com o cérebro primitivo e o reptiliano causou a pequena confusão que que Freud bem anteviu em sua psicanálise.

Segundo o pai da Psicanálise nossa mente seria subdividida por instâncias ou áreas mutáveis que respondiam de três maneiras distintas.

O id que seria conteria todos os impulsos animais que herdamos de eras de evolução que preservam a nossa vida (defendendo o corpo de perigos), anseiam perpetuar a espécie (pelo sexo) e atacam os opositores (destruindo predatoriamente). Ele seria irracional e inconsciente e também conteria os lixos psicológicos de memórias que queremos evitar e sentimentos que negamos de nós mesmos. Seria o tapete que tentamos empurrar o lixo que mais tarde virá à tona cobrar seu espaço na consciência. Como um barril que tentamos empurrar para o fundo do mar e teima subir a superfície.

O superego seria parte consciente e outra inconsciente que funciona como um juiz na alfândega de nossa mente decidindo o que é correto ou não, justo ou não, bom ou não dentro do conjunto de valores assimilado no grupo a que pertence. Esses valores se iniciam na família, avançam para a sociedade mais ampla e alcançam os anseios de um país ou do planeta terra. A complexidade ou simplicidade do superego será de acordo com as aspirações de cada pessoa em relação ao grupo que queira pertencer.

O ego seria aquele que tenta regular os impulsos do id e as exigências do superego para agir em relação à realidade externa ao mundo psíquico e as demais pessoas.

A culpa nasce dessa briga do id com o superego. Aquilo que desejo fazer para satisfazer meus desejos sexuais e competitivo-destrutivos e as regras do superego que barram certos comportamentos considerados errados ou inapropriados.

A grande questão é que o conjunto de valores que absorvemos na infância teve uma função específica, se adequar ao sistema de valores que nossos pais ou cuidadores tinham.

E a maior parte das pessoas consciente ou inconscientemente continua mantendo um sistema de valores mais ou menos parecido com aqueles estabelecidos em sua maioria de forma arbitrária.

Quem é pai e mãe entenderá o que eu digo, muitas regras impostas aos filhos não tem nada a ver com um princípio coerente pensado, estudado com calma para se tornar uma regra uniforme que se aplique em diversas situações. As regras impostas aos filhos costumam ser criados no calor do momento de acordo com o humor e a disposição física e emocional dos pais.

O filho de 13 anos pede para a mãe se pode viajar com os amigos da escola para a praia sob supervisão dos pais dos amigos. Naquele dia a mãe estava triste e não estava a fim de decidir nada. Ela havia brigado com o marido e para se vingar (inconscientemente) manda o filho perguntar a opinião do pai que já sabe de antemão ser contrária ao pedido. Ela sem perceber coloca um contra o outro e sai da linha de frente de ataque do filho. No mês seguinte o marido teve um ato inesperado de carinho seguido de uma noite deliciosa de amor. Ela de bom humor recebe o mesmo pedido do filho e esquecida do mês anterior deixa que o filho viaje, pois sabe que pode barganhar com o marido, afinal ele está mais aberto por conta do sexo.

Qual o princípio implícito nessas decisões arbitrárias? Nenhuma. Dali o filho depreende “se eles estão bem eu consigo o que eu quero, se brigam eu não devo pedir nada”. Não há princípio moral na análise, só barganha barata e jogo de interesse.

Se são pessoas felizes os pais costumam ser mais acolhedores, benevolentes e coerentes criando um conjunto de regras adaptável e desdobrável ao longo da vida, mudando apenas o formato e mantendo a essência. Se são impulsivos, egocêntricos e vivem em crise pessoal são mais castradores, punitivos e hostis perpetuando uma mentalidade culpada, sofrida e depressiva nos filhos que se culparão por tudo o que os pais não fizeram.

O que quero explicitar é que essa herança psicológica será a fôrma onde o sistema de valores de uma pessoa adulta se pautará para afirmar a si mesma. Ela dirá que está com a razão ou não baseada em pura névoa emocional.

Ela amará e brigará por valores e maneiras de articular as regras frutos de um conjunto de valores desconexo e personalista. “É certo se me der vontade que seja” e “é errado se contraria minhas expectativas utilitaristas”.

Uma pessoa pode se sentir culpada (e acreditando piamente fazendo algo errado), portanto, por conta de valores e crenças extremamente limitadas que lhe foram transmitidas pela visão estreita dos pais.

Os pais já podem ter morrido, mas aquela voz benevolente ou punitiva continua ecoando na mente da pessoa oprimindo suas ações.

Quando ela se sente triste ou raivosa pode ser simplesmente resultado de uma visão pequena que nunca foi reformulada ou questionada. Não é de certo ou errado que se trata, mas de uma miopia moral que proibe coisas que não fazem mal a ninguém. Você sofre por nada

A pessoa que se sente dona da razão e cheia de moral na realidade só está sentada no trono de um império que só ela habita. A verdade “dela” nem é dela e muito menos a percepção mais madura e que inclua o benefício de todos como gostaria de acreditar.

Quando veste uma roupa que considera inadequada ou feia, pode ser simplesmente porque aquele mundinho que ela foi criada tinha pouca sofisticação estética e dizia que era inapropriado.

Nas universidades ninguém é educado a ter uma visão ampla da realidade, por isso uma pessoa escolarizada não necessariamente consegue olhar mais longe do ponto de vista moral. Imagine aquelas que nem tiveram acesso a isso.

A culpa que você sente, portanto, pode ser mais fruto do delírio de uma criança crescida que quer ser aceita por pais que nunca se agradavam por nada. O que faz você se torturar pode não ser um comportamento nocivo ou realmente danoso, apenas visão pequena.

Como sair dessa? Coloque num papel as suas principais culpas e analise como quem olha um texto impessoal quais são as regras que predominam ali e tente se afastar delas por alguns dias. Depois retorne com calma e veja se aquilo faz sentido ou se é apenas a voz da repressão de um certo grupo que você pertence ou pertenceu um dia.

O resultado é que você deve estar carregando pesos psicológicos completamente inúteis que lhe fazem pensar que não merece ser feliz sem razão lógica nenhuma para isso.

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Frederico Mattos é um homem apaixonado, sonhador nato, psicólogo provocador, escritor de um não best-seller e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão, Muay Thai, lava pratos e escreve no blog Sobre a vida. No twitter é@fredmattos.

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