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Comments (1) Comportamento

Pessoas “do contra” por Frederico Mattos

Acho tão engraçado quando falo com a pessoa “do contra”. Ela adora dizer que é contra cultura, anti-capitalismo, anti-moda, anti-tendência, anti-clichê, anti-padrão, anti-novela e anti-qualquer coisa que seja pop. [leia mais]

Tá na moda usar o bigode fora de moda

Esse comportamento subversivo me deixa intrigado, pois eu sempre penso que se uma coisa realmente não nos incomoda a nossa mente nem considera pensar ou falar sobre ela. Quem pede por oxigênio é o asmático que sente falta de ar, pois quem está com a respiração em dia nem pensa se o ar é assim ou assado.

Durante tanto tempo por conta do meu horário de trabalho que vai até tarde não via novelas, mas não porque fosse especialmente contra argumentando que é uma cultura popular da pior espécie e blábláblá, mas simplesmente porque não estava ao meu alcance. Eu não era anti-novela, era apenas espontaneamente voltado para outras coisas. Se uma novela estivesse passando eu não levantava a placa de alerta vermelho fazendo pregação sobre a cultura popular.

Acho que as pessoas que se colocam como anti-pop na realidade gostam de se sentir especiais por terem gostos incomuns, quase como se tivessem que provar para se mesmas (ainda que nunca assumam isso) que não se vendem fácil ou que são refinadas.

Qual o problema de apreciar o comum?

Sei que Dostoievski tem qualidade e que música funk pode parecer duvidosa, mas e daí?

Não é de gosto que falo aqui, cada um tem direito ao seu. Mas porque necessariamente ficar pregando o que é melhor e o que as pessoas deveriam gostar de modo geral?

Porque usar bigode só para poder parecer diferente? Por que olhar as tendências só para ir contra elas? Por que se escravizar na contramão? [o que é moda?]

Sim, a contramão é uma forma de prisão tanto quanto quem adere ao populacho porque está incomodado, aflito ou querendo provar algo.

É como se tivesse lutando contra um pai interno para mostrar que já não faz mais xixi nas calças. Quem está em paz consigo não precisa usar um código ou um anti-código para se reafirmar. Pode usar uma marca prestigiada ou deixar ela de lado sem se enaltecer secretamente por não se submeter ao que todo mundo quer.

Esse anseio por singularidade é uma ilusão quando somos frutos de um caldo cultural e sócio-histórico específico. Até a contra-cultura está dialogando com a cultura vigente que é referência.

Mesmo a pessoa que gosta de ter a opinião “diferente” no fundo só está sendo xiita do outro lado, na real a postura extremista só está enfeitada de outro jeito. Carolas e revolucionários estão no mesmo time mas usando perfumes diferentes, eles querem no fundo ter a soberania. Uns admitem e outros não, essa é a diferença.

E se o “do contra” vir que todos concordaram com ele voltará a ser do contra só para poder estar acima deles.

Meio clichê ser do contra, né Che Guevara ambulante?

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Frederico Mattos é um homem apaixonado, sonhador nato, psicólogo provocador, escritor de um não best-seller e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão, Muay Thai, lava pratos e escreve no blog Sobre a vida. No twitter é@fredmattos.

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  • Carol

    “Carolas e revolucionários estão no mesmo time mas usando perfumes diferentes”… É isso. Pregar aos quatro ventos o que é melhor, e do que as pessoas deveriam gostar, é arrogância. Eu às vezes ainda me pego fazendo isso, acho que muitos de nós fazem de vez em quando. É a eterna gana de validar o nosso orgulho vencendo um debate. É muito importante se vigiar pra não cair nessa armadilha. Se ninguém perguntou sua opinião, pra quem vc está pregando, além desse “pai interior”?
    Há aqui, penso eu, um problema grande, que não é nem tanto o manifestar a sua opinião “diferente” fora de contexto, ou sem que tenham perguntado. Vc poderia dizê-la de forma educada, como uma ponderação, uma reflexão, numa boa. Isso seria tolerável se (1) a pessoa que o faz não tivesse a deliberada intenção de convencer seus ouvintes de que ela está com a COMPLETA razão ou, pior, se (2) ante o menor sinal de discordância, não reagisse agredindo o ouvinte com elogios de todo tipo como “ignorante”, “reacionário”, “populacho”, “ateu”, “carola”, “elitista”, “comunista”, “míope” e variáveis igualmente edificantes. Causa perplexidade a reação visceral de quem toma uma discordância a uma crença ou opinião própria como ofensa diretamente pessoal, como se a pessoa e suas crenças/opiniões fossem uma coisa só… Como se ser defrontada com outras possibilidades representasse uma ameaça à própria integridade da sua personalidade, à sua existência, despertando como que “instintos de sobrevivência psicológicos”.
    Mas a propósito, só porque vc tocou no assunto, Dostoiévski é melhor que alguns funks, só pra não generalizar. (Desculpa, meu espírito de porco não resistiu à brincadeira estúpida) 😉
    Bjo, Fred!